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Tese identifica novo campo de conhecimento e prática interdisciplinar

  • 20 de Julho de 2012

Bioética, saúde pública e diplomacia podem colaborar para a diminuição das desigualdades e injustiças relacionadas às condições de vida e saúde entre diferentes países

Os temas de bioética, saúde e diplomacia são tratados de maneira isolada, tanto em documentos oficiais de cooperação entre países, como no campo acadêmico, em investigações e na formação de recursos humanos. Na tese Cooperação Sul-Sul na área da saúde: dimensões bioéticas, o pesquisador José Paranaguá de Santana identifica a escassez de registros na literatura científica na interlocução dessas disciplinas. “Para garantir a equidade e a justiça na cooperação em saúde entre países não podemos pensar separadamente a bioética, a saúde pública e as relações internacionais”, afirma.

 

Paranaguá defendeu a tese pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB), orientado pelo professor Volnei Garrafa, coordenador da Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília. “Temos aqui um novo campo científico. Sua tese será uma leitura obrigatória para os futuros pesquisadores em nosso programa de pós-graduação”, disse Garrafa, após a aprovação da banca, no último dia 9. 

Paranaguá acredita que cooperação Sul-Sul deve seguir uma linha diferente da tradicional, buscando efetivamente ampliar a solidariedade no desenvolvimento autônomo dos países. “As desigualdades resultantes dos diferentes estágios de desenvolvimento entre as nações são questões que devem ser pensadas pela bioética”, diz o pesquisador.

NETHIS – O Núcleo de Estudos sobre Bioética e Diplomacia em Saúde (Nethis) foi criado durante a elaboração da tese do pesquisador. Paranaguá acredita que sua consolidação contribuirá para a formulação e avaliação de políticas públicas de relações internacionais na área da saúde, voltadas para redução das desigualdades entre as nações, sob os princípios da solidariedade e da justiça.
O Nethis disponibiliza uma Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) na confluência disciplinar da bioética, saúde pública e relações internacionais, bem como um portal de notícias para difundir pesquisas e atividades nessa interseção temática. Realiza mensalmente um ciclo de debates com especialistas renomados e a gravação de entrevistas para o programa Diálogos da UnB TV (canal 6 da NET). “Também estamos desenvolvendo uma linha de pesquisas e estudos interdisciplinares, em cooperação com programas de pós-graduação dessas três áreas”, explica Paranaguá.

METODOLOGIA – O pesquisador analisou, em perspectiva interdisciplinar, os acervos da Biblioteca Virtual em Saúde do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BVS/BIREME) e da PubMed, Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, que disponibilizam na Internet a produção científica mundial em ciências da saúde. “Minha conclusão é que a literatura interdisciplinar, embora incipiente, não descarta e até respalda a hipótese de uma confluência entre as áreas. Outras observações e analises apontam para a formação de um novo campo científico”, conta.

BANCA DE DOUTORADO – Participaram da avaliação da tese o presidente da Fiocruz e pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz, Paulo Gadelha; o presidente da Sociedade Brasileira de Bioética e professor da Universidade de Brasília (SBB), Cláudio Lorenzo; o secretário-executivo da UNA-SUS e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Eduardo de Campos; e o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Núcleo de Estudos de Saúde Pública da Universidade de Brasília, Roberto Passos Nogueira. 

PERFIL – José Paranaguá de Santana é sanitarista, especialista em Saúde Comunitária, mestre em Medicina Tropical e doutor em Ciências da Saúde. Coordena o Núcleo de Estudos sobre Bioética e Diplomacia em Saúde e é assessor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz na Diretoria de Brasília. Foi consultor da Organização Pan-Americana da Saúde durante 28 anos, entre 1979 e 2012; diretor de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Direção Geral do INAMPS/MPAS (1985-88) e coordenador geral de Política de Recursos Humanos do Ministério da Saúde (1995-96).