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Em nova cooperação, ENSP formará RH no Paraguai

  • 26 de Dezembro de 2013

 

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A ENSP, que desde 2008 vem apoiando o país em uma assessoria técnica para a implementação da Estratégia de Saúde da Família, recebeu o novo ministro de Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai, Antonio Barrios. O objetivo da visita foi restaurar acordos e cooperações com a Escola. A nova demanda tem foco na formação de recursos humanos para a área da atenção primária. A coordenadora de Cooperação Internacional da ENSP, Erica Kastrup, ressaltou que os projetos para os profissionais do sistema de saúde do Paraguai serão orientados pelo princípio da educação permanente.
Segundo Antonio Barrios, a experiência de formação da ENSP é bastante rica. “Inclusive já temos experiências exitosas com a instituição, fruto da cooperação bilateral que estabelecemos há alguns anos com a Escola, como a implantação da Estratégia de Saúde da Família, a realização do I Encontro Nacional de APS e Participação Popular e da I Mostra Nacional de Atenção Primária de Saúde”, descreveu.

O ministro, que assumiu o cargo em agosto de 2013, ressaltou que seu desejo é atingir no Paraguai o nível de qualidade de capacitação da ENSP. Barrios anunciou que “assim que chegar ao meu país traçaremos planos de trabalho para colocar em prática o que conhecemos e aprendemos aqui, contando, é claro, com as cooperações já estabelecidas com a Escola”, declarou.

São metas da cooperação bilateral com a ENSP o fortalecimento da implementação do PSF por meio da Estratégia de Saúde da Família; a formação de massa crítica na área da Atenção Primária com foco na epidemiologia e em redes; a formação de técnicos em saúde em áreas de interesse das políticas públicas de saúde; e o fortalecimento da capacidade de produção científica, tecnológica e prestação de serviços em saúde. Hermano ressaltou que o sistema de saúde do Paraguai é embrionário. Para mudar esta realidade, eles buscam reforços na América Latina. “Nós, aqui no Brasil, em especial, temos o Programa de Saúde da Família e vasta expertise na formação de recursos humanos”.

Desde o início desta cooperação, os trabalhos com o Paraguai estão sob a responsabilidade de uma equipe técnica composta pelo docente da Residência Multiprofissional em Saúde da Família da ENSP/Fiocruz e da Residência e Internato em Medicina de Família e Comunidade da UFRJ, Carlos Eduardo Aguilera Campos, e por Erica Kastrup e Ana Laura Brandão, ambas da Cooperação Internacional da ENSP.
Em um pequeno resgate histórico, Erica lembrou que todo este movimento vivido no Paraguai teve início com a posse do então presidente Fernando Lugo e da ministra da Saúde, Esperanza Martinez, em 2008. “No âmbito da Unasul, Esperanza, que foi aluna da ENSP no curso de Especialização em Saúde Pública, solicitou ao então ministro da Saúde, Jose Gomes Temporão, apoio para implantar a Estratégia de Saúde da Família no Paraguai. Assim, em janeiro de 2009, começou a nossa cooperação”, disse ela.

Além da ENSP, o ministro Antonio Barrios esteve com a sua comitiva em outras unidades da Fiocruz, como Farmanguinhos e Biomanguinhos, pois também tem interesse na transferência de tecnologia em áreas de desenvolvimento de medicamentos e vacinas. Ele ainda visitou o Centro de Relações Internacionais da Fundação (Cris/Fiocruz) em busca de formação em diplomacia em saúde e saúde global e também para a troca de experiências em gestão de cooperações internacionais.

Hoje, o Paraguai já tem 740 equipes de Saúde da Família trabalhando por todo o país. Mais de 700 delas foram implementadas ao longo do processo de cooperação, sendo  perceptível o crescimento e desenvolvimento da Atenção Primária no país. Ana Laura explicou que estas equipes estão em 144 distritos das 18 regiões sanitárias, que compõe o Paraguai, cobrindo uma população de mais de 2 milhões de pessoas. “A APS obteve grandes avanços no ponto de vista de sua implementação no Paraguai e as ferramentas trabalhadas no âmbito da cooperação contribuíram para a melhoria da qualidade da atenção prestada a população. Vale ressaltar que as metodologias aplicadas na cooperação são possíveis de serem replicáveis em outras iniciativas de Cooperações Sul- Sul”.

Fonte: Informe Ensp.

(Fotos: Peter Ilicciev – Coordenação de Comunicação Social da Fiocruz)